workshop

Relaxe, que você não vai ficar famosa com literatura: uma oficina de escrita recreativa

Tu fica paralisade na hora de escrever, porque não sabe se teu texto vai agradar, se ele é bom e necessário? Tem medo da folha em branco porque se sente forçade a entregar um resultado que seja publicável, viral, aplaudível? Tu não sabe nem por onde começar, porque acha que precisa saber aonde vai terminar? Então esse workshop foi feito pra tu <3

Utilizando técnicas para despertar o cérebro criador, vindas das artes visuais e da militância, e técnicas de autoedição vindas da fotografia documental e do jornalismo, a oficina quer te conectar com uma necessidade básica: escrever sem expectativa de êxito.

No lugar de forçar à criatividade e à produtividade neoliberais (que nos ensinam que algo só presta se fizer sucesso, se der dinheiro, se gerar engajamento, se for best-seller, se ganhar o Nobel), o objetivo dessa oficina é te mostrar ferramentas pra aprender ligar o f0da-se, sem se render ao cinismo jamais. Em outras palavras: o objetivo dessa oficina é te mostrar ferramentas que te ajudem não necessariamente a escrever bem, mas escrever at all.

Nos dois primeiros encontros, vamos exercitar ténicas de improviso e, nos dois últimos, vamos exercitar a autoedição. O objetivo não é encontrar um produto final, mas encontrar uma nova forma de se relacionar com o ato de escrever. Cada aula terá bibliografia enviada por email antes dos encontros, cuja leitura ajuda, mas é totalmente opcional ;)

AULA 1
Quem sou Eu? Exercícios de desenho e improvisação

AULA 2

Quem é O Outro? Exercícios de escrita jornalística e improvisação

AULA 3

Kill your darlings: técnicas da edição fotográfica como editor de texto

AULA 4
O pior poema do mundo: sarau de encerramento!

INFORMACOES PRÁTICAS

Quando e onde: quando preenchermos próxima turma! Caso tenha interesse, preencha este formulário, porfa: https://forms.gle/o86m6ViHzdDqrusHA
Quanto: 140€ (para a oficina presencial em Berlim).
Vagas: 8 a 12 (a oficina só rola se tiver no mínimo oito inscrites!)
O que inclui: meus honorários e o material (prancheta, lápis de cor, papel, apontador, fita crepe, água, copo e snacks).
O que não inclui: seu paninho pra sentar na grama, casaco pra não pegar sereno e 0,50€ caso você queira fazer xixi no banheiro high-tech.


SOBRE MIM
Sou poeta e ativista pelo direito à cidade, nascida em Pernambuco. Em 2017 fui uma das convidadas da FLIP. Em 2018 ganhei o Prêmio Rio de Literatura por meu quinto livro, “o martelo”, publicado no Brasil, Portugal, EUA, Reino Unido, Alemanha, Argentina e Grécia. Em 2020 fui nomeada para os prêmios de poesia Derek Walcott e National Translation Awards. Meu 10º livro, o 4º de poesia, chifre, foi publicado em 2021 pelas Edições Macondo. A primeira tradução será publicada nos EUA pela Tripwire Pamphlet Series, com traduções de Chris Daniels, no outono de 2022.

PORQUE CRIEI ESSA OFICINA?
Porque apesar de toda essa fama (kkk ala as leonina) eu não pago minhas contas com poesia e preciso de trabalhos assalariados. Até junho eu tinha dois: um no atendimento da sucursal alemã da revista Jacobin, e o outro na recepção de uma galeria de arte. A galeria, que é auto-administrada por um coletivo de artistas (um Verein), ficava num galpão alugado há mais de 20 anos. Em 2022, o proprietário fez um aumento tão grande do aluguel, que a galeria não pôde permanecer lá, fechando suas portas e demitindo todos os recepcionistas (eu inclusa). Em resumo: criei a oficina porque preciso de dinheiro.

PORQUE ESSE TEMA?
Questões relacionadas à função social da poesia e à opressão capitalista sobre a criatividade foram abordadas por mim em dezenas de workshops anteriores. Já os problemas enfrentados pela poeta quando ela se encontra sozinha com ela mesma, os desafios criativos e mentais na hora de escrever, era algo que sempre quisar abordar numa oficina de escrita, com recorte anticapitalista. O conceito de escrita criativa, no entanto, soa um tanto opressor, pra mim. Então achei mais apropriado pensar em algo que convide à cura, e não à produtividade. Assim, veio a ideia de escrita recreativa, como se fosse a hora do recreio :)

PORQUE A OFICINA TEM ESSE RECORTE?
Apesar de não ter podido me formar, fiz faculdade de jornalismo por 3 anos e trabalhei durante sete anos em jornal impresso e em revista digital. Muito do que aprendi de edição e autoedição vem dessa experiência. Depois, completei um curso técnico (Ausbildung) em fotografia documental em Berlim, cujas práticas muito me ajudam a editar textos e livros (o martelo, por exemplo, é puro suco de fotografia documental). E para financiar esse curso, trabalhei, entre outras coisas, de modelo-vivo, um trabalho semi-criativo que demanda alta concentração e que oferece, ao mesmo tempo, grandes possibilidades de transcendência. O livro autotomy (…) e o projeto multimídia a artista não está presente nasceram dessa experiência. Além disso, durante os quase 10 anos que trabalhei com isso, pude aprender várias técnicas criativas nas aulas de desenho. Last but not least, a experiência como organizadora comunitária na Aliança de Feministas Internacionalistas de Berlim e sobretudo na campanha por direito à moradia DW und Co. Enteignen, somada ao estudo de ténicas de grupos como MTST e MST, me ofereceram um repertório valioso sobre práticas criativas não-convencionais.

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